GT Infra lança newsletter semanal

Principais acontecimentos e ações de membros da organização são destaque

Compartilhar informações é uma forma de pensar coletivamente em soluções para os problemas de infraestrutura do país. Pensando nisso, o GT Infra lança uma newsletter semanal, que destaca os principais fatos da semana em sua área de atuação e também ações e campanhas que contam com o envolvimento de suas organizações.

O resumo da semana será enviado para listas de email toda sexta-feira e visa criar essa relação de troca com quem recebe o material, produzido pelo Mundo com a curadoria da diretoria do GT Infra. Outro objetivo é estreitar os laços com as mais de 40 organizações que fazem parte do grupo, estimulando ações conjuntas e levando ao conhecimento de todas o que está sendo feito e planejado.

Quer receber a newsletter? Envie um email para gtinfra20@gmail.com

Pela primeira vez na história, uma árvore pede refúgio e expõe drama de espécies nativas ameaçadas

Árvore ameaçada de extinção pede refúgio em embaixadas de países com representação no Brasil e dispara mobilização contra a aceleração do desmatamento

Um pedido insólito foi feito na abertura do evento 24 horas de Realidade: Contagem Regressiva para o Futuro, realizado no dia 10 de outubro, pela Climate Reality Project, e ganhou as redes. Um jatobá, espécie ameaçada de extinção, pediu refúgio em representações de países estrangeiros por sentir-se ameaçada em seu território de origem. Em um filme a árvore denuncia risco de vida diante da devastação e exploração descontrolada das florestas no Brasil, com aumento constante de desmatamento e intensificação das queimadas que destroem biomas inteiros.

Segundo definição do Alto Comissariado para Refugiados das Nações Unidas (ACNUR), refugiados estão fora de seu país de origem devido a fundados temores de perseguição, como também devido à grave e generalizada violação de direitos e conflitos. As árvores da Amazônia, e também de outros biomas brasileiros, no filme representadas por um Jatobá, estão sob ameaça. A ação deve mobilizar a opinião pública mundial sobre a aceleração das agressões à maior floresta tropical do mundo, assim como a necessidade de fortalecer o manejo sustentável na região.

Além do apoio da Climate Reality Brasil, organização com o objetivo de informar a sociedade sobre os efeitos das mudanças climáticas no planeta, a ação tem o apoio do GT Infraestrutura e Justiça Socioambiental, grupo de trabalho com 40 organizações socioambientais com atuação conjunta com organizações locais e do Engajamundo, uma rede de jovens que promove o engajamento político como meio de transformação da realidade.

5 Medidas
O objetivo deste pedido de refúgio é chamar a atenção para as “5 Medidas Emergenciais para Combater a Crise do Desmatamento da Amazônia” formuladas por cientistas e entidades que atuam no território. A integra do documento está publicada no site www.arvorerefugiada.com.br e chama para a assinatura de uma petição com o intuito de suspender todo o desmatamento durante os próximos 5 anos.

“Nosso meio ambiente está sob ataque de pessoas e estruturas que deveriam protegê-lo. Precisamos chamar a atenção para essa tragédia em curso, e mobilizar muito além da comunidade internacional para reverter esse cenário”, disse Renata Moraes, gerente do Climate Reality Brasil.

“Esse inusitado pedido de refúgio mostra a gravidade da situação de milhões de árvores e outras formas de vida que estão sendo exterminadas sem ter a quem recorrer no Brasil, onde autoridades responsáveis por sua proteção muitas vezes estão aliadas aos destruidores. Cabe a nós, cidadãos, nos posicionarmos em defesa dessa e de milhões de árvores em busca de uma solução, que começa pela implementação da “5 medidas emergenciais de combate ao desmatamento”; o que permitirá que milhões de árvores, nossas florestas e seus habitantes possam viver em paz no Brasil, prestando seus relevantes serviços climáticos para nós e à todo o planeta”, afirmou Sérgio Guimarães, Secretário Executivo do GT Infraestrutura.

A organização de jovens Engajamundo salienta a importância da ação: “A Amazônia pede socorro há anos. O pedido de refúgio desta árvore ameaçada de extinção simboliza não somente a sobrevivência deste e outros seres vivos que são essenciais para a vida no planeta, mas também dos muitos povos indígenas, ribeirinhos, quilombolas, entre tantos outros que vivem na Amazônia e que lutam para proteger a floresta e seus territórios. Esta ação traz a necessidade e a urgência da mobilização em prol da preservação das nossas florestas, a nível nacional e internacional, e do fortalecimento da luta de seus povos originários e tradicionais que mantém uma relação sustentável com a Amazônia”.

“Árvores são seres vivos e essa é uma ação dramática para chamar a atenção do mundo para o extermínio sistemático das nossas espécies. Precisamos avançar para uma política de desmatamento zero a curto prazo e sermos intransigentes na luta contra a depredação dos nossos biomas”, enfatizou Edson Vidal, professor da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ).

WebGTInfra coloca infraestrutura no centro do debate

Existe uma lacuna no debate sobre infraestrutura na Amazônia. A quem essas grandes obras atendem? A que custo? Essas são algumas das perguntas respondidas na série de webinários Ciclo WebGTInfra, realizado junto com parceiros, desde o dia 13 de agosto.

Produzir reflexões sobre essa infraestrutura a partir da visão inclusiva das comunidades e populações da Amazônia está entre as prioridades do GT Infraestrutura este ano. A intenção é contribuir para a melhoria das respostas à pandemia e para a recuperação econômica do país, priorizando temas que ajudem na construção de uma infraestrutura mais sustentável.

Já foram realizados seis encontros e outros estão previstos até o mês de novembro. Perdeu algum deles? É possível assistir no canal do GT Infraestrutura no Youtube.

Projetos de Infraestrutura de Transportes na Amazônia Propostas do Governo Federal

Renovação Econômica e Infraestrutura na Pós-Pandemia: Repensando Conceitos e Estratégias

Saúde, Saneamento e as Políticas Sociais para o Desenvolvimento Regional

Plano Nacional de Energia 2050: Apontamentos para o Desenvolvimento Energético Regional

Oportunidades de incidência na política e no planejamento durante o processo decisório

Renovação Econômica e Responsabilidade Socioambiental de Bancos e outras Instituições Financeiras

Ciclo de debates reúne ex-ministros da Fazenda, ex-presidentes do BC e autoridades internacionais para falar sobre retomada verde

Evento é uma parceira da Convergência pelo Brasil e a ICC Brasil (Câmara de Comércio Internacional no Brasil)

São Paulo, 15 de outubro de 2020

A Convergência pelo Brasil e a ICC Brasil (Câmara de Comércio Internacional no Brasil) convidam para o início da série de webinars “Agenda Prática para a Retomada Verde”, cujo objetivo será discutir e propor caminhos para concretizar ações que potencializem o crescimento econômico brasileiro com foco no meio ambiente.

A primeira webinar terá como tema “Precificação de carbono: Oportunidades e riscos para o Brasil em uma economia de baixo carbono”, com a participação do ex-ministro da Fazenda e signatário da Convergência pelo Brasil Joaquim Levy; do diretor de Política Internacional da International Emissions Trading Association (IETA), Stefano de Clara; e do diretor de Finanças Sustentáveis da SITAWI, Gustavo Pimentel. A moderação será da diretora executiva da ICC Brasil, Gabriella Dorlhiac.

O evento será transmitido ao vivo no dia 20 de outubro, das 9h às 10h30 (horário de Brasília) pelos canais do YouTube da ICC Brasil e do Instituto Clima e Sociedade – iCS. O debate será em inglês, com tradução para o português em tempo real.

O próximo tema desse ciclo de debates será a construção de uma “Reforma Tributária Verde”, com as participações já confirmadas do ex-ministro Gustavo Krause e Ian Parry, especialista-chefe em Política Fiscal Ambiental do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Também já está programada a webinar para tratar sobre “Comércio internacional e barreiras climáticas e ambientais”, contando como convidado, entre outros, o diretor do Conselho e Comitê de Negociações Comerciais da Organização Mundial do Comércio (OMC), Victor do Prado.

Histórico

A série de webinars “Agenda Prática para a Retomada Verde” marca a parceria entre a ICC Brasil e a Convergência pelo Brasil com o objetivo de ajudar o Brasil a encontrar e adotar caminhos que levem a uma atividade econômica sustentável.

A ICC Brasil é o braço no país da International Chamber of Commerce (ICC), maior organização empresarial do mundo, e traz todo seu know-how para o debate devido ao seu alcance global e acesso a importantes agentes privados e públicos sobre os temas que serão discutidos. Globalmente, a ICC é a porta-voz oficial do setor privado nas COPs e é a única organização empresarial com assento de observador da Assembleia-Geral da ONU.

A série de webinars também marca a segunda fase da Convergência pelo Brasil, projeto que reuniu de maneira inédita 18 ex-ministros (a) da Fazenda e ex-presidentes do Banco Central num movimento suprapartidário e que culminou na publicação de uma carta com o objetivo de trazer ao primeiro plano a questão ambiental como fundamental para o país entrar numa rota de crescimento econômico sustentável.

A divulgação da carta ocorreu no dia 14 de julho passado e foi assinada por Alexandre Tombini, Armínio Fraga, Eduardo Guardia, Fernando Henrique Cardoso, Gustavo Krause, Gustavo Loyola, Henrique Meirelles, Ilan Goldfajn, Joaquim Levy, Luíz Carlos Bresser-Pereira, Maílson da Nóbrega, Marcílio Marques Moreira, Nelson Barbosa, Paulo Haddad, Pedro Malan, Pérsio Arida, Rubens Ricúpero e Zélia Cardoso de Mello.

Como Assistir
Em Inglês:
ICC Brasil
iCS

Em Português:

ICC Brasil
iCS

Sobre a Convergência pelo Brasil
Dezoito ex-ministros (a) da Fazenda e ex-presidentes do Banco Central uniram-se para construir a carta Convergência pelo Brasil com o objetivo de salientar a importância de atrelar a questão ambiental como um pilar fundamental para a economia do Brasil conseguir crescer de forma sustentável.

A Convergência pelo Brasil é coordenada pelo Instituto Clima e Sociedade (iCS) e pelo Instituto O Mundo que Queremos. Na carta, foram elencados quatro pontos essenciais para que o Brasil volte a crescer:
– Promover a economia de baixo carbono;
– Acabar com o desmatamento na Amazônia e no Cerrado;
– Aumentar a resiliência climática;
– Impulsionar a pesquisa e o desenvolvimento de novas tecnologias.

Para mais informações, acesse o site.

Sobre a ICC Brasil
A ICC Brasil reúne no país os membros da International Chamber of Commerce (ICC), a maior organização empresarial do mundo, com mais de 45 milhões de empresas de 100 países. Com sede em Paris e comitês nacionais em mais de 90 países, a ICC atua como a voz das empresas nas Nações Unidas, da Organização Mundial de Comércio (OMC) e no G-20, influenciando no desenvolvimento de políticas, na criação de regras e no estabelecimento de padrões universalmente utilizados no comércio internacional.

Mais informações, acesse o site.

Como o Brasil pode virar uma grande potência na economia de baixo carbono

A Conexão Pelo Clima On reunirá empresas que apostam nas oportunidades da transição para uma economia com baixas emissões e zero desmatamento

Imagine um analista de economia na Coreia do Sul no início dos anos 1960 chegando em uma reunião importante com investidores, empresários e representantes do governo e dizendo que, num futuro próximo, eles deixariam de ser um dos países agrários mais pobres do mundo para se tornarem uma superpotência tecnológica.

Nem todo mundo daria ouvidos a ele. Afinal, naquela época, a economia do país asiático era baseada em pesca e agricultura e muita gente achava que era melhor continuar fazendo isso. No entanto, houve quem apostasse numa indústria baseada em uma tecnologia completamente nova, chamada eletrônica. Hoje, o que era uma aposta virou realidade.

A Coreia do Sul é referência e exporta para todo o mundo. Tudo isso só foi possível porque o país resolveu agir na hora certa, dando incentivos para a instalação de indústrias e investindo em educação e pesquisa de ponta.

O Brasil de 2020 vive um momento decisivo também. Enquanto muita gente ainda acha que o caminho é investir na exportação de frango, carne e soja, está em curso uma revolução que vai virar o mundo de cabeça para baixo. Os países mais desenvolvidos do globo já declararam publicamente que a retomada econômica pós-pandemia será verde e quem continuar ignorando as mudanças climáticas não terá espaço. Essa é a hora para começarmos a dar mais atenção às vantagens competitivas que o nosso país possui para se tornar o rei desse novo mundo, baseado em uma economia verde. Isso mesmo, o Brasil tem tudo para virar uma das maiores potências do mundo em economia de baixo carbono. Isso pode ser a melhor oportunidade da história para darmos um salto de desenvolvimento.

Somos um dos países com maior número de empreendedores com negócios verdes. A Climate Ventures mapeou, entre 2018 e 2019, mais de 500 negócios que promovem a economia regenerativa de baixo carbono. E não é por acaso. Tantos jovens criativos são resultado de vivermos em um local com recursos de sobra. Temos condições de ter uma matriz energética totalmente limpa, além das hidrelétricas, com mais investimento em energia eólica e solar.

Podemos apostar em veículos movidos à álcool e biomassa. Abrigamos a maior biodiversidade e a maior floresta tropical do planeta. Temos material para produzir plástico de biomassa. Graças a isso, podemos produzir alumínio, cimento, bebidas, bicicletas, quase tudo com menos emissões do que outros países. Isso sem falar que temos muita terra, suficiente para abastecer o mercado interno e ainda produzir para exportação, se considerarmos que a pecuária de baixa produtividade no Brasil ocupa 200 milhões de hectares e parte desse território poderia ser destinado à produção agrícola, sem desmatar mais nada.

Um estudo, divulgado no último mês de agosto pelo WRI Brasil e pela iniciativa New Climate Economy, mostra que a adoção de medidas para uma produção mais verde pode render para a nossa economia pelo menos R$ 2,8 trilhões a mais no nosso Produto Interno Bruto (PIB), além de gerar mais de dois milhões de empregos. O trabalho destaca os ganhos econômicos que andam juntos com a diminuição da poluição, como menos gastos em deslocamentos e saúde, além de mais produtividade desses trabalhadores. O WRI também calcula que a emissão e os empréstimos de títulos verdes está em expansão e atingiu, em 2019, um recorde global de US$ 202 bilhões. O Brasil, segundo esse trabalho, acompanhou as tendências internacionais, mas atingiu apenas uma fração de seu potencial.

A Conexão Pelo Clima, maior evento de negócios verdes da América Latina, é o espaço onde as pessoas capazes de tornar o país essa superpotência se encontram para fazer negócios. A primeira edição, realizada em 2019 com o nome Feira Conexão Carbono Zero, já se consolidou como um evento referência, fomentando parcerias e mobilizando recursos para soluções que visem transformar os modelos de negócios num caminho para reverter a mudança climática. Em 2020, O Mundo Que Queremos, CDP Latin America e Climate Ventures se juntaram para que esse continue sendo um espaço único de conexão rumo à uma economia de baixo carbono.

A segunda edição da feira presencial está agendada para 2021. Enquanto isso, esse ano teremos o Conexão Pelo Clima On, que reúne lideranças do setor para uma sequência de seminários online, que querem inspirar e influenciar as agendas de governos e da iniciativa privada para investir e fomentar bons negócios pelo clima. Serão dois painéis, que vão tratar de dois temas fundamentais para o Brasil em 2020.

O primeiro dia (21/09) será dedicado às florestas e ao campo, tratando de desafios relacionados à produção de alimentos, o uso sustentável da terra e a valorização das florestas vivas. No segundo dia (22/9) o foco são os desafios ligados às cidades, abordando a chamada “agenda marrom”, com debates sobre energia, indústria e planejamento urbano sustentável. Essa é uma oportunidade para quem quer encontrar seu espaço na nova economia do clima, e ajudar o Brasil a aproveitar essa chance única.

Este artigo foi originalmente escrito por Angélica Queiroz e Alexandre Mansur e publicado na coluna Ideias Renováveis da revista Exame.

Foto: Navios de carga no Porto de Paranaguá: o grande potencial do Brasil é para exportar produtos bons para o clima (André Zabel/Flickr)

União entre governos, sociedade e setor privado é resposta para recuperação verde

Alinhamento de pauta ambiental e econômica é consenso mundial. Conexão Pelo Clima ON foi oportunidade para debater como fazer

A retomada econômica verde é a saída para tirar o Brasil da crise socioeconômica e esse foi o assunto da Conexão Pelo Clima ON, edição online da maior feira de negócios da América Latina. Convidados que são referências no setor participaram de dois dias de painéis visando encontrar soluções conjuntas para inspirar e influenciar as agendas de governos e da iniciativa privada. O evento, realizado nos dias 21 e 22 de setembro, é fruto de uma parceria do Instituto O Mundo Que Queremos, CDP Latin America e Climate Ventures.

“Nesse momento, o debate sobre meio ambiente, mudanças climáticas e economia se estreitou. É como se tivesse ficado mais racional”, comentou a Diretora Executiva do Instituto Clima e Sociedade (iCS), Ana Toni, em fala de abertura do evento. Para ela, a Conexão Pelo Clima se consolida como um espaço para concretizar todas essas boas intenções, fazendo isso virar ação. “A economia de baixo carbono não é mais um tema ambiental, é um tema econômico, de sobrevivência e de urgência”.

Agricultura, florestas e uso da terra

O primeiro dia de evento foi dedicado ao tema “Agricultura, florestas e uso da terra”. Estêvão Ciavatta, CEO na Pindorama Filmes e mediador do debate, começou destacando que a Amazônia tem hoje quase um milhão de quilômetros quadrados desmatados e frisou que as unidades de conservação e terras indígenas são fundamentais para preservação desse bioma tão importante: “Quem freia, de fato, o desmatamento e cuida da floresta é quem vive dentro dela”, afirmou.

Um dos macrodesafios desse tema é parar de alimentar a dicotomia de que o agronegócio é inimigo da preservação. Por isso, o primeiro painel contou com a participação da Gerente de Sustentabilidade da Cargill, Renata Nogueira, da Diretora Executiva da IDH Brasil, Daniela Mariuzzo, do Diretor executivo da Plataforma Parceiros pela Amazônia e Diretor de novos negócios do Idesam, Mariano Cenamo e da Gerente de Sustentabilidade da Natura, Luciana Villa Nova.
“As empresas precisam seguir a regulação e fomentar boas práticas, mesmo em relação ao desmatamento permitido, impulsionando a economia de baixo carbono e o pagamento por serviços ambientais”, afirmou Renata Nogueira, trazendo o desmatamento — legal e ilegal — para o centro do debate. Para ela, cumprir o Código Florestal e engajar os produtores nesse processo são peças-chave para que o Brasil tenha uma produção agrícola mais sustentável.

Assistência técnica, crédito e conhecimento são outras peças desse quebra-cabeças, segundo Daniela Mariuzzo. Para ela, esse é um setor que foi concebido em cima de grandes mitos, que atrapalham a construção das soluções e, para desfazer isso, o debate qualificado é fundamental. “Se queremos resolver qualquer problema, precisamos entendê-lo. Que a gente saia deste diálogo com mais perguntas que respostas, consiga diminuir os mitos e trabalhe com fatos. E consiga, com base nisso, construir as nossas soluções”, afirmou.

Para Mariano Cenamo, um maior protagonismo do setor privado também é cada vez mais urgente. “Precisamos, mais do que nunca, de uma nova geração de negócios, pequenos ou grandes”. Para ele, o debate é urgente porque o Brasil pode perder cada vez mais a sua relevância na agenda econômica internacional. “Estamos passando por boicotes porque a sociedade está cobrando, ninguém quer mais desmatamento. É um chamado muito forte e nós temos que nos posicionar”, provocou.

Como podemos fazer isso de forma sustentável? Luciana Villa Nova deu algumas ideias contando sobre o trabalho que a Natura tem feito na Amazônia nos últimos 20 anos. “Vamos lidar com muitos desafios, mas precisamos olhar a natureza não como uma fonte de recursos a ser explorado, mas de uma forma mais integradora, utilizando a tecnologia a nosso favor e alterando os hábitos de consumo da sociedade, alertando para o que ela está comprando. A responsabilidade é dividida”, alertou.

Investimento, adaptação e infraestrutura
Um dos destaques do segundo dia de evento, dedicado ao tema “Investimento, adaptação e infraestrutura”, foi a fala de abertura de Christiana Figueres, ativista e ex-secretária executiva da United Nations Framework Convention on Climate Change (UNFCCC). Para ela, a América Latina está em uma posição privilegiada e tem tudo para sair na frente. “Países que têm uma matriz energética mais limpa, como Costa Rica e Brasil, está mais perto do futuro”, afirmou. Para ela, não é preciso escolher entre desenvolvimento econômico e preservação ambiental. “Podemos e devemos fazer os dois ao mesmo tempo. Não é só uma oportunidade, mas também uma necessidade urgente”.

Em seguida, Maria Eugênia Buosi, sócia da Resultante ESG, conduziu um painel com a presença do ex-ministro da Fazenda, Rubens Ricupero, da sócia da Mauá Asset Management, Carolina Costa, do 2º High Level Climate Action Champion COP25, Gonzalo Muñoz, do Secretário de Meio Ambiente de Jalisco, Sergio Montero e do fundador do Sistema B na América Central, Ernesto Moreno.

Segundo Ricupero, não há justificativa para que um país como o Brasil não aproveite todo o seu potencial verde. ”Os governos precisam trabalhar juntos e têm um papel estratégico.Se quisermos realmente chegar a uma economia carbono zero, a primeira coisa que o mundo tem que fazer é precificar o carbono,” afirmou.

Por sua vez, Gonzalo Muñoz afirmou que a humanidade já está entendendo o novo contexto. “O mundo começa a dar sinais de que essa agenda não é só dos grandes, mas também fundamental para os pequenos”. Ele destacou que não é preciso só reduzir, mas também sequestrar e regenerar a natureza. A boa notícia é que, de acordo com ele, várias empresas e governos já estão se movimentando nesse sentido para cumprir os acordos internacionais. “Estamos começando a juntar todo mundo”.

Sergio Montero trouxe o exemplo de Jalisco, no México, que tem tido um protagonismo importante. Para ele, os governos precisam trabalhar juntos para alcançar a descarbonização. “Em Jalisco, estamos trabalhando com cooperação intermunicipal. Sem isso é impossível gerar condições para o desenvolvimento de todos os atores do território”, relatou.

Para financiar essa agenda, o mercado financeiro precisa entender como. Essa foi a tônica da fala de Carolina Costa, também convidada do painel. Para ela, o mercado tem que entender onde investir. “A economia verde tem que financiar negócios verdes. No entanto, as metas precisam ser materializadas”. Carolina destacou ainda a importância de um olhar atento para as tecnologias que vão mudar a regra do jogo. “Elas vão ser determinantes para a economia de transição”.

“Somos todos consumidores”, lembrou o último convidado do dia, Ernesto Moreno. Por isso, ele acredita que é fundamental que os governos façam a sua parte, para que todos os atores tenham condições de tomar boas decisões e mudar os rumos do mercado.

Conexão Pelo Clima
Iniciativa inédita na América Latina, a primeira edição da Feira Conexão Carbono Zero, realizada em 2019, se consolidou como um evento referência de negócios pelo clima, fomentando parcerias e mobilizando recursos para soluções que visem transformar os modelos de negócios num caminho para reverter a mudança climática. Em 2020, o evento ganhou um novo nome, Conexão Pelo Clima e, devido à pandemia de Covid-19, um formato online saiu do papel. A segunda edição da feira está prevista para acontece em 2021.

Os dois dias de evento da edição 2020 ficam gravados e podem ser acessados a qualquer momento pelo canal do Youtube.

Foto:Unsplash

Plano Nacional de Energia 2050 precisa considerar desenvolvimento regional

Webinário vai embasar elaboração de uma proposta conjunta para orientar consulta pública

O Plano Nacional de Energia (PNE) 2050 está em fase de consulta pública. O documento é um planejamento de longo prazo do setor energético do país e vai servir como um guia, com orientações governamentais para o futuro e deixam claro para investidores e setores produtivos quais caminhos o país deve seguir. Estamos falando de definições a longo prazo e esse é o momento para discutir como é possível pensar em uma transição energética para o Brasil que seja justa, inclusiva, de baixo carbono e leve em conta as especificidades das populações de cada região. O assunto é tema do próximo webinário do Ciclo WebGTInfra, que será realizado nesta quarta-feira (16/9), às 16h, no canal do Youtube.

Elaborado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), a partir de diretrizes do pelo Ministério de Minas e Energia, o PNE 2050 precisa ser conhecido e debatido pela sociedade civil. Os efeitos das obras sempre aterrissam em territórios e, em geral, quem vive neles desconhece esses projetos. A ideia do webinário é, portanto, trazer para a EPE preocupações sentidas localmente a partir de grandes obras e pensar possíveis alternativas a esses problemas socioambientais historicamente vividos.

A ideia é que esse webinário embase a elaboração de proposta conjunta à consulta pública e ajude a despertar novos rumos, bem como a devida atenção em torno de modelos, estratégias e políticas sociais adequadas e adaptadas à realidade e ao contexto das comunidades locais. Após a consulta, o documento será encaminhado para a apreciação do Conselho Nacional de Política Energética.

Convidados

O debate será mediado por Alessandra Mathyas, do WWF-Brasil, e participarão os seguintes convidados: Thiago Barral, presidente da EPE; Armin Feiden, do Comitê Hidrológico Paraná III; Josefa de Oliveira Câmara da Silva, do Movimento Xingu Vivo e Conselho Ribeirinho de Belo Monte; e Cleo Francelino Aquino, também do Conselho Ribeirinho de Belo Monte. Assim, além da visão técnica, o webinário pretende ser um espaço que dê destaque às preocupações das comunidades que vivem nos territórios que sofrerão os impactos dessa política.

Ciclo WebGTInfra

O debate é o terceiro público do Ciclo WebGTInfra, promovido pelo GT Infraestrutura e parceiros, pensado para promover reflexões sobre sustentabilidade tendo sempre a infraestrutura como norte. A intenção é que os encontros sempre tratem do assunto priorizando a visão inclusiva das comunidades e populações da Amazônia.

SERVIÇO
O que: Ciclo WebGTInfra: Plano Nacional de Energia 2050: apontamentos para o desenvolvimento energético regional
Quando: 16/9, 16h
Onde: Youtube GT Infra
Inscrições: no link

“O melhor meio de ajudar os pobres é criar uma economia de baixo carbono”

Para escritor Jonathon Porritt, o mundo está disposto a nos ajudar. Mas a retomada da destruição na Amazônia sob o atual governo é tendência perturbadora

A melhor receita para acelerar a recuperação econômica e gerar empregos de qualidade é seguir o caminho da economia de baixo carbono. O Brasil está especialmente bem posicionado para isso. É o que afirma o autor britânico Sir Jonathon Porritt, diretor do Fórum for The Future, organização que promove a sustentabilidade no Reino Unido junto a empresas como Unilever, Capgemini, Aviva, Diageo e EDF. Porritt trabalha com campanhas e mobilização na área ambiental há mais de 45 anos. Diretor da Amigos da Terra nos anos 1980, e autor de vários livros, é uma voz influente entre formuladores de política pública ambiental no Reino Unido. Segundo Porritt, se o Brasil quiser, o mundo todo está disposto a ajudar.

Principalmente porque o Brasil guarda a floresta Amazônica, cuja manutenção é vital para evitar um apocalipse climático que ameaçaria a civilização humana. Ele lembra que, apesar de todo o crédito brasileiro na energia limpa, a retomada da devastação na Amazônia alimentada pelo desmanche ambiental do atual governo federal é “uma tendência extremamente perturbadora” e o risco de retaliações existe. Porritt dará uma aula especial ao vivo online em comemoração aos 40 anos da FIA, Fundação Instituto de Administração sediada em São Paulo.

A masterclass “Recuperação econômica e a retomada verde: como ser relevante no novo normal” acontece no dia 15 de setembro, das 18h às 20h (horário de São Paulo). Em entrevista a essa coluna, Porritt dividiu seus pensamentos sobre os riscos e oportunidades que a emergência climática abrem para o Brasil.

Exame – Alguns líderes de economias emergentes como o Brasil concordam com a necessidade lidar com as mudanças climáticas. Mas no fundo de seus corações eles não sentem urgência. Ainda acreditam que a mitigação das mudanças climáticas pode ser adiada enquanto não resolvemos questões mais demandantes como criação de emprego ou combate à miséria. O que o senhor diria para esses líderes?

Jonathon Porritt – Esse é um ponto de vista comum. Não só no Brasil. Inclusive aqui no Reino Unido! Tudo isso tem a ver com a questão de vermos ou não a tragédia no horizonte. Muitos dos piores impactos das mudanças climáticas não irão ocorrer em nossas vidas nos próximos anos. Por isso, é mais fácil deixar para lidar com isso depois e se concentrar no que impacta nossa vida agora. Mas obviamente essa escolha irá custar caro depois. Foi interessante ouvir as autoridades no estado americano da Luisiana usando o termo “invivível” (“unsurvivable” no original em Inglês) para descrever a situação trazida pelas mudanças climáticas. Essa é uma palavra que poderemos ouvir cada vez mais nos próximos anos, na medida que os extremos climáticos impõe um custo cada vez maior na economia e na qualidade de vida das pessoas. Não falo apenas de furacões, mas de incêndios florestais, enchentes, secas, ondas de calor etc. Por isso, precisamos reconhecer que o melhor meio de ajudar os pobres e gerar empregos é focar no que podemos fazer agora para reduzir as emissões de gases de efeito estufa. E estabelecer uma economia baseada totalmente na prosperidade de baixo carbono.

Exame – Que medidas de curto prazo podem ser tomadas para garantir uma recuperação econômica boa para o clima em países como o Brasil?

Porritt – Como você sabe os países do mundo estão considerando formas de reviver a economia investindo em prosperidade de baixo carbono através de programas que eles estão chamando de “reconstrução melhorada”. O programa da União Europeia, de 750 bilhões de euros, é talvez o melhor exemplo. Pelo menos 30% dele será direcionado especificamente para novas oportunidades da economia verde. Isso também é importante para o Brasil. Gostei muito do relatório da WRI Brasil que descreve uma nova economia para o país. Ele foca em três áreas: infraestrutura, inovação industrial e agricultura sustentável. O relatório estima que é possível gerar R$ 2,8 trilhões até 2030, criando 2 milhões de novo empregos. Essa é a oportunidade real: entender que garantir uma economia de baixo carbono ajuda a gerar prosperidade real e novos empregos agora.

Exame – A administração federal atual do Brasil afirma que o país já fez demais pelo clima. Afirmam que o Brasil não foi compensado pela energia limpa, pela conservação de florestas e pela frota rodando com álcool. O que é possível dizer para convencê-los que seria necessário fazer mais?

Porritt – Isso é um importante ponto para reflexão. Não há dúvida que o Brasil fez muitas coisas que o mundo precisa saber. No entanto, a chave para isso é a Amazônia. É mais ou menos correto afirmar que apenas 20% da floresta desapareceu em 40 anos. Mas isso ainda é uma área vasta de floresta em termos absolutos. E o desmatamento voltou a crescer desde a eleição de Jair Bolsonaro. O ano de 2020 também tem sido ruim, com boa parte da destruição acontecendo acobertada pela pandemia. É fundamental que o desmatamento pare. E é fundamental que o Brasil trabalhe com o resto do mundo para tornar isso possível. Toda evidência indica que a atmosfera na Amazônia está secando significativamente nos últimos 15 anos. É uma tendência extremamente perturbadora.

Exame – Após anos de pressão internacional sobre o Brasil, alguns observadores questionam se as ameaças de boicote correm mesmo o risco de se materializar algum dia. O senhor acha que a pressão está perdendo a eficácia?

Porritt – Concordo que as pessoas ficaram cínicas porque as ameaças contra o Brasil nunca parecem se materializar. Mas eu teria cautela em assumir que será sempre assim. Existe um aumento claro nas preocupações dos bancos comerciais, que observam os riscos associados a financiamento para o Brasil e algumas indústrias-chave, como a agricultura intensiva. Pode ser interessante observar uma nova iniciativa no Reino Unido, como parte da nova Lei Ambiental esperada para outubro. O governo lançou uma consulta pública na “due diligence de risco florestal das commodities”. Sugere que novas leis garantirão que, para importar certas commodities como soja, óleo de palma, cacau, carne e couro, será preciso demonstrar que o fornecedor não participou na destruição de florestas. Cerca de 67% dos britânicos apoiam essa medida. Isso pode mudar todo o debate.

Exame – Existe uma fala prevalente nos países emergentes que as nações ricas destruíram seus recursos naturais primeiro a fim de se desenvolverem e só depois começaram a conservar o que sobrou. Essa é a narrativa correta?

Porritt – Esse é um argumento justo. E algo que eu comecei a apontar quando era diretor da Amigos da Terra aqui no Reino Unido nos anos 1980, trabalhando com colegas do Brasil. É correto dizer que muitos países ocidentais foram extremamente destrutivos em relação a seus próprios recursos naturais, e que isso foi justificado pela contribuição para a prosperidade. Em muitos aspectos, isso ainda continua. O impulso por crescimento econômico sem considerar o dano ambiental é tão grande quanto sempre foi. Mas não está certo assumir que os ambientalistas fazem campanha por isso. Não estamos criticando o Brasil por causa de um histórico brilhante em nossos próprios quintais. Longe disso. Pessoalmente, eu sou tão crítico do governo britânico do que do governo brasileiro. E nem me peça para falar dos Estados Unidos, onde temos um presidente tentando desmontar 40 anos de regulação ambiental para criar riqueza para um grupo ínfimo de pessoas já ricas. É justificado criticar tudo isso.

Esta entrevista foi originalmente escrita por Alexandre Mansur e publicado na coluna Ideias Renováveis da revista Exame.

Foto: O autor britânico Jonathon Porritt (Divulgação/Divulgação)

Maior evento de negócios pelo clima da América Latina terá versão online

Iniciativa vai debater retomada verde como saída para tirar Brasil da crise socioeconômica

Um estudo divulgado pelo WRI Brasil e pela iniciativa New Climate Economy, no último mês demonstrou que uma recuperação econômica verde fará o Brasil crescer mais, nos próximos dez anos, do que o modelo de desenvolvimento atual. Isso poderá acrescentar ao PIB do país R$ 2,8 trilhões, além de gerar mais de dois milhões de empregos até 2030. Outro trabalho publicado na revista Nature Climate Change analisa que o investimento global numa recuperação verde no pós-pandemia pode diminuir pela metade o aquecimento global previsto para 2050. Essa retomada verde é assunto da edição online da Conexão pelo Clima ON.

O evento será realizado nos dias 21 e 22 de setembro, das 10h às 13h, e trará para o debate temas relativos à recuperação econômica verde no Brasil pós-pandemia, discutindo os caminhos urgentes da transição para uma economia de baixo carbono. Os dois encontros virtuais são gratuitos e podem ser acompanhados no canal do Youtube, com transmissão ao vivo também pela Revista Exame.

Programação
O primeiro dia (21/09) será dedicado às florestas e ao campo, tratando de desafios relacionados à produção de alimentos, ao uso sustentável da terra e à valorização das florestas vivas. No segundo dia (22/9) o foco são os desafios ligados às cidades, abordando a chamada “agenda marrom”, com debates sobre energia, indústria e planejamento urbano sustentável.

Alguns nomes importantes nacional e internacionalmente já estão confirmados como participantes dos painéis. Entre eles: Daniela Mariuzzo (IDH), Estêvão Ciavatta (Pindorama Filmes), Renata Nogueira (Cargill), Mariano Cenamo (Idesam), Gonzalo Muñoz Abagabir (High Level Climate Action Champion COP 25) e Sergio Graf Montero (Secretário de Medio Ambiente y Desarrollo Territorial de Jalisco/México).

Feira Conexão Pelo Clima
Iniciativa inédita na América Latina, a primeira edição da Feira Conexão Carbono Zero, realizada em 2019, se consolidou como um evento referência de negócios pelo clima, fomentando parcerias e mobilizando recursos para soluções que visem transformar os modelos de negócios num caminho para reverter a mudança climática.

Em 2020, o evento ganhou um novo nome, Conexão Pelo Clima e, devido à pandemia de Covid-19, um formato online saiu do papel. Embora a segunda edição da feira tenha sido adiada para 2021, o diálogo para alavancar a ação climática não pode parar. Por isso, foram convidadas lideranças do setor para uma sequência de seminários online, buscando inspirar e influenciar as agendas de governos e da iniciativa privada para investir e fomentar bons negócios pelo clima, com o objetivo comum de tornar o país menos desigual, mais competitivo e livre de desmatamento ilegal.

A iniciativa Conexão Pelo Clima é uma parceria do Instituto O Mundo Que Queremos, CDP Latin America e Climate Ventures, que se juntaram para oferecer um espaço de conexão rumo à economia de baixo carbono.

SERVIÇO
O que:
Conexão Pelo Clima ON 2020
Quando: 21 e 22 de setembro, das 10h às 13h
Onde: Youtube do Conexão Pelo Clima
Inscrições: https://conexaopeloclima.com.br/

A saúde das pessoas é a prioridade na Amazônia

A pandemia mostrou como a região é carente de infraestrutura. A preocupação com a saúde cria oportunidade para quem quer oferecer soluções na região

A chegada do novo coronavírus à Amazônia evidenciou o abismo que separa a infraestrutura da região das outras áreas do país. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Distrito Federal, São Paulo e Rio de Janeiro são os locais com mais respiradores e leitos de UTI, enquanto os estados na região Norte figuram entre os menos equipados. Em Santarém, município polo do Tapajós, no oeste do Pará, só havia 1 respirador para cada 20 mil habitantes. A distribuição de médicos, enfermeiros e insumos, segue a mesma lógica: privilegia os estados Sul e Sudeste.

Isso sem falar que a região Norte também é a pior do país quando o assunto são as condições de higiene e saneamento básico, decisivas para o combate ao covid-19 e a muitas outras doenças. Os números são preocupantes em todo o país, onde 35 milhões de pessoas não têm acesso à água. Mas, dados do Instituto Trata Brasil mostram que, enquanto no Sudeste mais de 90% da população tem água tratada, no Norte esse número é de apenas 57%. Se falamos de rede de esgoto, a situação é ainda pior: pouco mais de 10% da população da região Norte têm acesso a esse serviço tão básico. Não por acaso, o Amazonas foi o primeiro estado brasileiro a entrar em colapso.

Diante desse cenário e com a pandemia avançado para o interior dos estados, a questão da saúde deve ser, mais do que nunca, tema prioritário nas eleições deste ano. Gestores públicos serão cobrados a falar sobre isso e a pressão por melhorias urgentes pode ser uma oportunidade para negócios que ofereçam soluções que atendam as especificidades da região. São investimentos necessários e que geram economia — a Organização Mundial da Saúde estima que, no Brasil, cada R$ 1 investido em saneamento pode gerar uma economia de R$ 4 na saúde.

Quem conhece a Amazônia e escuta as demandas das populações que lá vivem sabe que a infraestrutura básica é muito mais importantes que os megaprojetos caríssimos, que costumam ganhar atenção da mídia. Na prática, eles não atendem às comunidades locais e ainda servem para fomentar negócios que devastam a região. Pensar em oportunidades de negócios na Amazônia é pensar em soluções para a logística, saneamento básico e atendimento médico, antes de tudo. O motivo é simples: sem respostas aos problemas sociais, não é possível encaminhar soluções para a preservação ambiental, nem caminhos para um desenvolvimento regional sustentável.

Os desafios são imensos. Para começar, as populações estão distribuídas ao longo de rios e estradas em uma área muito grande, o que significa custos logísticos superiores a qualquer outra região do país. Por isso, quando pensamos em modelos de negócio e investimentos públicos em infraestrutura para a Amazônia, eles precisam ser adaptadas a esse contexto. Não basta apenas pegar o que está funcionando em outros lugares e levar para lá. Quem pensar nisso, vai ter atenção e fechar negócio. Esse tema será aprofundado no webinário “Sem social não tem ambiental: Saúde, Saneamento e as Políticas Sociais para o Desenvolvimento Regional”, realizado pelo GT Infraestrutura e parceiros, dia 2 de setembro, às 16 horas (horário de Brasília). O debate será transmitido pelo Youtube. A saúde da população na Amazônia é uma condição para o desenvolvimento sustentável na região e para a implantação de negócios duradouros. A saúde da floresta depende da saúde das pessoas, e vice-versa.

Este artigo foi originalmente escrito por Angélica Queiroz e Alexandre Mansur e publicado na coluna Ideias Renováveis da revista Exame.

Foto: Manaus: cidade foi uma das mais atingidas pelo coronavírus no país (MICHAEL DANTAS/AFP)