Proteger as árvores gigantes no Pará é o primeiro passo para uma aliança do futuro contra a emergência climática

A Floresta Estadual do Paru abriga a maior árvore da América Latina e a 4ª maior do mundo.

A maior árvore da América Latina e a quarta maior do mundo está no Brasil, mais precisamente na Floresta Estadual (Flota) do Paru, no Pará. Esse tesouro recém descoberto é um angelim-vermelho (Dinizia excelsa) com 88,5 metros de altura, o equivalente a um prédio de 30 andares, e uma idade estimada entre 400 e 600 anos. Próximo ao angelim-vermelho, outras árvores gigantes com quase 80 metros de altura foram identificadas. Em um momento em que a emergência climática exige ações urgentes, a proteção da Floresta das Árvores Gigantes torna-se vital.

A Flota do Paru, com cerca de 3.6 milhões de hectares, foi criada em 2006 e é uma das maiores áreas de conservação do estado. Localizada no oeste do estado do Pará, na Calha Norte do rio Amazonas, região que abriga o maior bloco de Unidades de Conservação (UCs) do mundo, a UC é também a terceira maior entre as do grupo de uso sustentável em uma floresta tropical no planeta. 

A Flota do Paru tem um papel essencial na conservação da biodiversidade amazônica, abrigando espécies endêmicas e sustentando atividades econômicas de baixo impacto ambiental, como o turismo, a extração de castanhas e o manejo florestal. Também é importante na regulação climática, sendo responsável pelo sequestro de milhões de toneladas de dióxido de carbono da atmosfera. Estudos indicam que as florestas tropicais, especialmente aquelas com árvores de grande porte como o angelim-vermelho, são fundamentais para a mitigação das mudanças climáticas.

No entanto, a região enfrenta ameaças crescentes de garimpo e desmatamento ilegal. Estes fatores colocam em risco a integridade da floresta e comprometem os serviços ecossistêmicos essenciais que ela oferece. As áreas protegidas da Amazônia tiveram em 2023 o menor desmatamento em nove anos, desde 2014. Apesar disso, o Pará seguiu no topo do ranking como o estado da Amazônia Legal que mais desmatou. Dados apurados por órgãos do governo e organizações ambientais que integram um inquérito civil instaurado pelo Ministério Público Federal (MPF) apontam que a região é explorada por mais de 2 mil garimpeiros, em cerca de 100 frentes de extração de ouro e, além disso, pelo menos 41 pistas de pouso, todas clandestinas, são usadas para viabilizar a logística dentro da área protegida.

“A urgência da situação climática global exige medidas mais rigorosas de proteção da biodiversidade, para áreas de conservação como a Flota do Paru. O legado que o governo do Pará espera deixar após a COP-30, pode ser iniciado com a ampliação da proteção da casa da maior árvore da América Latina, transformando a FLOTA em uma UC de Proteção Integral e intensificando suas ações de monitoramento e fiscalização. Esse sem dúvida seria um gesto contundente para consolidar uma aliança da nossa geração com o futuro” afirma Angela Kuczach, bióloga e diretora executiva da Rede Nacional Pro-Unidades de Conservação.

Campanha #ProtejaAsÁrvoresGigantes

Em dezembro de 2022, entidades do terceiro setor e setor privado uniram-se para pedir a proteção da Flota do Paru, destacando a importância de fiscalizar, monitorar e preservar este patrimônio natural. Os esforços culminaram na campanha #ProtejaAsÁrvoresGigantes .

Em setembro de 2023, o governador do Pará, Helder Barbalho, anunciou durante o Global Citizen Festival em Nova York o compromisso de ampliar a proteção de pelo menos 1 milhão de hectares da floresta amazônica nos próximos anos. Esta declaração marca um passo audacioso em direção à preservação do ecossistema amazônico e ocorre simultaneamente à preparação para a COP-30 do Clima, programada para o segundo semestre de 2025.

A Fundação Amazônia Sustentável (FAS) e o Governo do Pará, por meio do Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade (Ideflor-Bio), firmaram em agosto de 2023, um Acordo de Cooperação Técnica (ACT) que prevê a criação de novas Unidades de Conservação (UCs) e estratégias de proteção do angelim-vermelho. Uma das ações previstas é a recategorização da Floresta Estadual (Flota) do Paru, elevando seu status de conservação. O plano para uma categoria de Proteção Integral.

O momento é propício para intensificar nossos esforços de proteção, especialmente à luz da vontade política demonstrada tanto pelo Governo Federal quanto pelo Governo do Pará. O discurso internacional sobre o combate ao desmatamento e a proteção da Amazônia destaca a importância dessa floresta para a estabilidade climática global e a biodiversidade.

Em 2024, #ProtejaAsÁrvoresGigantes retorna com renovado vigor, aproveitando o novo cenário político do Brasil. Com o crescente apoio à conservação ambiental, este é o momento ideal para envolver e mobilizar a sociedade na defesa das árvores gigantes da região. 

Diversos projetos e iniciativas já estão apoiando a nova fase da campanha, como  Instituto O Mundo Que Queremos, Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), Projeto Saúde e Alegria, Instituto Centro de Vida (ICV), a Rede Nacional Pró-Unidades de Conservação (Rede Pró-UC), World Heritage Watch, Operação Primatas, Amigos do Parque Nacional Histórico do Monte Pascoal, Associação Onçafari, Instituto de Pesquisa e Formação Indígena (Iepé), GreenBond, Um Dia no Parque, Portal Neo Mondo, Fundação Ecológica Cristalino (FEC), Brazilian Luxury Travel Association (BLTA), Observatório de Justiça e Conservação (OJC) e Caiman, Pantanal.

“O Estado do Pará é o guardião das árvores gigantes da Amazônia. Essa floresta é um patrimônio natural único dos paraenses. O povo do Pará pode sentir grande orgulho de cuidar em seu estado da floresta com as maiores árvores do Brasil. São monumentos naturais com milhares de anos. Agora, com a chegada da COP 30 em Belém, o estado do Pará tem a oportunidade de mostrar para todo o Brasil e todo o mundo sua beleza natural. Com todos os olhos do planeta voltados para o Brasil e nossa capacidade para cuidar da maior floresta tropical do mundo, o governo do Pará pode dar um exemplo mundial e exibir sua liderança global, aumentando o status de conservação da floresta com os angelins vermelhos, as nossas árvores gigantes”, afirma Alexandre Mansur, diretor de projetos do Instituto O Mundo Que Queremos.

Crédito da foto: Havita Rigamonti/Imazon/Ideflor

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