Comunicação para a transformação socioambiental

As finalistas regionais da competição ClimateLauchpad mostram soluções para o uso mais eficiente de recursos naturais e econômicos

Para enfrentar uma situação de crise econômica como a atual do Brasil, uma medida sempre bem-vinda é acabar com os desperdícios. Todo tipo de desperdício, inclusive o de recursos naturais. Usar os recursos de forma eficiente – seja matéria-prima, energia ou mesmo tempo das pessoas – está intimamente ligado a um melhor resultado econômico. A boa notícia é que os empreendedores têm soluções criativas para reduzir vários desperdícios. Seus negócios promovem um uso mais inteligente do que temos. Ajudam a garantir maior retorno hoje, melhor qualidade de vida agora e geram mais segurança para nosso futuro.

Três startups com negócios contra o desperdício foram as vencedoras da final nacional da ClimateLaunchpad, a maior competição de negócios verdes do mundo. A competição é organizada no Brasil pela Climate Ventures, com apoio do Instituto Clima e Sociedade (iCS). A disputa envolve cleantechs (tecnologias limpas) de 57 países e tem o objetivo de destravar o potencial e fomentar ideias de negócios que tenham impacto positivo no clima. Vale a pena conhecer o que fazem essas empresas inovadoras e como elas promovem o uso mais eficiente de preciosos recursos.

Bioflore – Uso eficiente da terra
A Bioflore, por exemplo, é uma startup que conecta produtores rurais com terras para reflorestar e empresas que buscam compensar suas emissões de carbono e garantir maior sustentabilidade em sua cadeia de produção. Através de uma plataforma desenvolvida pela startup se tem acesso a informações sobre clima, solo e espécies possíveis de plantar no local a ser reflorestado, estratégias de plantio, relatórios e conhecimento sobre o que as espécies potenciais para a região podem gerar de produtos florestais não madeireiros. Heitor Filpi, CEO da Bioflore, explica que, ao conectar os produtores com as empresas, o negócio possibilita viabilizar a regularização ambiental com modelos agroflorestais que não só geram renda para esses produtores, mas também conseguem suprir demandas de alimentos. Um exemplo é do trabalho que o negócio faz com o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Santa Bárbara (MG), intermediando o fornecimento de alimentos por parte dos agricultores familiares para as merendas das escolas públicas do município. Diminuindo assim a necessidade do sindicato buscar grandes quantidades de alimentos em grandes centros de distribuição, o que seria um estímulo para o desperdício de comida, com a perda de alimentos estocados.

Nibble – Menos desperdício de resíduos
A startup Nibbler, de São Paulo, ataca o excesso de lixo doméstico. Os fundadores da empresa, Guilherme Coube e Isabela Gomes, desenvolveram, dentro do programa de Engenharia Avançada do departamento de Pesquisa e Desenvolvimento da Escola Avenues São Paulo, o projeto Nibbler. É um eletrodoméstico que tritura lixo residencial, mistura os fragmentos com uma resina e permite a impressão de objetos em 3D. Hoje, muito do que colocamos na lixeira reciclável acaba sendo contaminado e não pode ser aproveitado. Mas com a máquina da Nibbler, uma porcentagem maior de lixo é aproveitada, já que ele foi desenhado para aceitar diversos tipos de materiais e de contaminação. Assim, é possível reduzir o descarte de resíduos sólidos, promover um modelo de descarte circular e a criação sustentável de novos materiais. A máquina da Nibbler poderia ser usada em escolas, universidades e residências, mas o projeto foi desenvolvido inicialmente com o foco no mercado de cooperativas de catadores. Com o uso do eletrodoméstico, seria viável a criação e a venda de objetos e, consequentemente, um aumento da renda das cooperativas.

SaveAdd – Sem comida jogada fora
SaveAdd é uma startup de soluções tecnológicas, que usa um aplicativo com inteligência artificial para identificar, diagnosticar e gerir sobras de estoque em empresas que lidam com alimentos, como supermercados ou redes de restaurantes. Com a SaveAdd, as empresas podem vender ou doar sobras, evitando o desperdício e convertendo custos logísticos, de manutenção, descarte e destruição, em melhor aproveitamento de produtos e matérias primas para ONGs, instituições e pequenas empresas. O que gera receita, lucro e valores de forma sustentável. Segundo Salvador Iglesias Ramalho, cofundador e CEO da startup, o negócio ajuda a combater o desperdício ao reduzir as barreiras que inviabilizam as decisões e a continuidade de práticas para o aproveitamento daquilo que ainda não é lixo. “Geramos assertividade e otimização de resultados com base nos algoritmos, além de controle e segurança através da auditoria de contratos inteligentes, junto com todos os registros necessários”, afirma.

A Bioflore, a Nibbler e a SaveAdd agora vão seguir para a final regional da ClimateLauchpad, prevista para ocorrer nos dias 24 e 25 de setembro, em um evento online. Irão competir com startups da Argentina, Barbados, Canadá, Colômbia, Jamaica, México, Suriname e Uruguai. Os quatro negócios mais bem avaliados da final regional vão apresentar seus pitches no Shark Tank Colômbia e México, uma apresentação de negócios a potenciais investidores. Por fim, as 14 melhores ideias verdes vão competir na final global, em outubro, e a vencedora leva para casa o prêmio de 10 mil euros.

Este artigo foi escrito por Larissa Magalhães e Alexandre Mansur e publicado na coluna Ideias Renováveis, na Exame.

Imagem de ElisaRiva por Pixabay

Compartilhe este post

Compartilhar no facebook
Compartilhar no google
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no pinterest
Compartilhar no print
Compartilhar no email

outras matérias