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Norma aprovada pelo Inmetro prevê 10 anos para melhorar eficiência energética de equipamentos, mas quem quiser sair na frente não precisa esperar

Após um hiato de 15 anos sem revisão, o Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) publicou, no início de agosto, a portaria que atualiza a Etiqueta Nacional de Conservação de Energia (ENCE) para os refrigeradores. No entanto, pela nova regra, os equipamentos brasileiros levarão outros 10 anos para que sejam tão eficientes quanto os de outros países em desenvolvimento. Esse é o tempo do período de transição para passar a vigorar a meta da nova etiqueta no Brasil. A Rede Kigali, que defendeu regras mais ambiciosas durante o período de consulta pública, acredita que, mesmo após a conclusão do processo, é possível antecipar as metas para apoiar e unir a revigoração da indústria brasileira de refrigeradores e a produção de equipamentos mais eficientes com preços acessíveis aos consumidores.

“Fabricantes e instituições competentes de governo precisam costurar e negociar uma política com esse fim, para sair da recorrente e contraproducente discussão que coloca preço e eficiência energética em lados opostos”, afirma Rodolfo Gomes, diretor executivo do IEI Brasil, uma das organizações que compõem a Rede Kigali. A Rede fez publicamente esse convite para os fabricantes e associações e irá atuar para incentivar esse debate. Segundo os especialistas da Rede, a antecipação dessa meta pela indústria pode trazer muitos benefícios principalmente relacionados à competitividade.

Exemplos de fabricantes de refrigeradores de outros países mostram as vantagens de se adotar a eficiência energética como critério. O México, que se harmonizou com as políticas de eficiência energética dos Estados Unidos (EUA), fez com que as exportações desses aparelhos aumentassem mais de 12 vezes entre 2000 e 2019, de 401 milhões de dólares para 5 bilhões. Essas exportações não vão apenas para os EUA e Canadá, mas também para outros mercados da América Latina, especialmente América Central e Caribe. Essa defasagem também contribuiu para que o Brasil perdesse o título de maior produtor de refrigeradores das Américas, posição que ocupava até dez anos atrás, quando nossa indústria era a quinta maior do mundo. No entanto, essa produção caiu 25% nos últimos anos e hoje países como o México e a Indonésia superam o Brasil na produção desses equipamentos.

Produtos mais eficientes podem ajudar a superar crise energética
Em um momento de crise energética, é fundamental oferecer aos consumidores produtos mais eficientes, que promovam uma economia significativa no valor pago nas contas de luz ao final do mês. Oferecer produtos com maior eficiência energética pode, inclusive, ser decisivo para estimular o marketing das empresas e conquistar uma parcela da população preocupada com o meio ambiente. Isso porque a eficiência energética nos aparelhos traz benefícios inclusive no combate às mudanças climáticas, pois reduz as emissões de gases de efeito estufa e de outros impactos ambientais produzidos pela geração de energia.

Refrigeradores “A” no Brasil em 2031 seriam “C” na Europa hoje
Hoje os refrigeradores brasileiros que estão no patamar da categoria “A” da etiqueta, a mais eficiente, não podem ser vendidos em vários países, como Quênia, México ou Estados Unidos, porque são considerados ineficientes nesses mercados. A meta da nova etiqueta do Inmetro para daqui a 10 anos para a categoria “A” é, atualmente, a categoria “C” da etiqueta europeia, por exemplo. Assim, se os fabricantes aguardarem o período proposto pelo Inmetro, em 2031 os equipamentos vendidos aos consumidores brasileiros como mais eficientes, na categoria “A”, estarão novamente com um padrão defasado em relação ao resto do mundo.

Sobre a Rede Kigali
A Rede Kigali é composta pelo Instituto Clima e Sociedade (iCS), Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), International Energy Initiative – IEI Brasil, CLASP, consultoria Mitsidi, Projeto Hospitais Saudáveis (PHS) e rede de jovens Engajamundo. Tem como propósito promover a eficiência energética como um instrumento para atingir múltiplos benefícios para a sociedade brasileira e para o consumidor. A eficiência energética, e as políticas e os mecanismos que a promovem, são tratados pela Rede Kigali não como um fim em si mesma, mas como um meio com diversos objetivos, entre eles oferecer para os consumidores aparelhos mais baratos e mais econômicos no consumo de eletricidade e dinamizar os setores econômicos envolvidos com a realização de investimentos em inovações tecnológicas, geração de emprego, aumento da produtividade e competitividade.

Foto: Unsplash

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