Comunicação para a transformação socioambiental

Quem são os empreendedores brasileiros que disputam uma vaga na maior competição do mundo para negócios bons para o clima

O mundo todo já sabe que a economia sustentável é a saída para enfrentarmos a crise do clima e está cada vez mais claro que a recuperação pós-pandemia precisa considerar aspectos ambientais e sociais. Nesse sentido, o Brasil é privilegiado. Não só por ter uma biodiversidade incomparável e enormes fontes de energia limpa, mas também porque não faltam por aqui pessoas com ideias verdes inovadoras.

É o que mostra a Climate Ventures, uma organização especializada em apoiar os empreendedores brasileiros pelo clima. Dados da Climate Ventures já mapearam mais de 650 novos negócios climáticos em todas as regiões do Brasil.

“A demanda por soluções inovadoras cresce à medida em que organizações e investidores entendem isso. Diante da emergência climática, essa clareza será ainda maior, o que significa maior aquecimento desse mercado e maior valorização dessas startups. O potencial é enorme”, ressalta Ricardo Gravina, diretor da Climate.

Para saber quem está com ideias novas para resolver o desafio climático e ajudar a desenvolver o Brasil, uma ótima dica é olhar para a maior plataforma global de lançamento desses empreendimentos: a ClimateLaunchpad. É uma competição global de ideias de negócios verdes realizada desde 2014. Já recebeu mais de 6 mil ideias que buscam solucionar problemas relacionados a mudanças climáticas e de impactos positivos para o meio ambiente.

O Brasil participa desde 2018 e, esse ano, oito finalistas disputarão a fase nacional da competição. As três iniciativas selecionadas se classificarão para a Final Regional da Competição, competindo com os melhores projetos de Argentina, Uruguai, Colômbia, Jamaica e Canadá em grande evento online em setembro. Após nova competição, 6 ou 7 iniciativas das Américas se classificarão para a Final Global da ClimateLaunchpad.

A melhor ideia do mundo vai ganhar 10 mil euros, um incentivo para um negócio que está começando. O páreo é duro: os brasileiros vão disputar o prêmio com ideias de 55 países. Mas as nossas empresas são fortes competidoras, veja só:

Ecociclo — criou um absorvente biodegradável, 100% brasileiro, que ajuda a reduzir o impacto provocado pelos 500 anos de decomposição do produto comum e ainda emprega mulheres em seu processo de produção.
Drain Street — é um sistema de drenagem urbana que diminui os riscos de alagamento em áreas pavimentadas porque tem tecnologia capaz de aumentar a área de permeabilidade do solo nessas condições.
Meli Network — investe na criação de abelhas nativas, ao mesmo tempo em que emprega comunidades tradicionais e protege a floresta, promovendo o reflorestamento nas regiões mais devastadas da Amazônia.
Nullcarbon — é uma plataforma que transforma a quilometragem percorrida por ciclistas em crédito de carbono que, vendidos no mercado voluntário, devolvem parte do valor aos seus usuários.
Pentagrama — criou uma plataforma de negócios com modelo replicável de sistemas agroflorestais em larga escala, que associa rentabilidade atrativa a impactos socioambientais positivos.
Sistemas Integrados – recupera pastagens degradadas por um sistema regenerativo com base na pecuária de leite e o cumbaru, uma leguminosa nativa do Cerrado brasileiro.
Steps — possibilita que o usuário que andar, pedalar ou usar transporte público para se locomover pela cidade acumule pontos que podem ser trocados por produtos no comércio local.
Tradenergy — é uma plataforma que conecta produtores e consumidores de energia renovável, digitalizando a compra e venda de créditos desse mercado.

Independente de quem ganhar, o bônus é que as iniciativas finalistas farão parte de uma vitrine para potenciais investidores em busca de negócios mundo afora, que vêem este setor como promissor. Ainda mais no Brasil, que tem potencial extremamente competitivo. “Acreditamos na capacidade de inovação dos empreendedores para que negócios verdes ganhem cada vez mais destaque e o desenvolvimento esteja cada vez mais alinhado com as possibilidades de nosso planeta”, afirma Gravina. “Não há dúvidas, o futuro é verde.” E o presente é um campo fértil para os empreendedores brasileiros que olharem para isso.

Este artigo foi originalmente escrito por Angélica Queiroz e Alexandre Mansur e publicado na coluna Ideias Renováveis da revista Exame.

Foto: Hellen Nzinga, Patricia Zanella, Adriele Menezes e Karla Godoy, fundadoras da EcoCiclo (Divulgação/Divulgação)

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