Especialistas defendem ação climática conjunta para nova economia

Às vésperas da COP26, Conexão Pelo Clima impulsionou diálogo sobre a ação climática

Representantes de empresas, governos e investidores são unânimes ao defender que é urgente a união de esforços para haja uma ação efetiva de mitigação das mudanças climáticas e a construção de uma nova economia. Esse foi o debate que norteou a terceira edição do Conexão Pelo Clima, que reuniu mais de 700 pessoas de vários países da América Latina entre os dias 26 e 28 de outubro, poucos dias antes da COP26. O evento foi organizado pelo CDP América Latina, Climate Ventures e Instituto O Mundo Que Queremos.

Para Rebeca Lima, diretora executiva do CDP América Latina, todos têm o seu papel no desenvolvimento de produtos financeiros verdes e negócios verdes a fim de que a recuperação econômica caminhe de mãos dadas com a necessidade de interromper a mudança do clima em curso. Já Alexandre Mansur, diretor do Instituto O Mundo Que Queremos, afirmou que essa agenda é um ganha-ganha-ganha, já que gera benefícios para acionistas, empreendedores e sociedade. A análise foi endossada por Daniel Contrucci, diretor da Climate Ventures, que ainda acrescentou que, embora essa nova economia ainda esteja em seus passos iniciais, o movimento está escalando.

Ambição climática na América Latina
“Para ter a possibilidade de um planeta estável para as gerações futuras, a gente precisa agir agora”, afirmou Daniela Lerario, líder brasileira na COP 26, mediadora da primeira plenária, que apresentou experiências de governos, empresas e investidores para mobilizar um desenvolvimento sustentável, resiliente e inclusivo. “Glasgow é a primeira COP a colocar a economia real no centro da agenda, a ação climática está acontecendo e é agora, mas precisamos ser ambiciosos. Não vai ser fácil, mas o mundo já tem conhecimento científico e capacidades tecnológica e financeira para fazer isso”, provocou. “Temos que aprender a ouvir a ciência. Os que não seguem terminam mal e prejudicam os outros. Para enfrentar as mudanças climáticas, temos que trabalhar”, acrescentou um dos convidados internacionais, Cristian Schwerter, Diretor de Planejamento de Águas Andinas, Chile.

A pandemia ajudou a sensibilizar os atores e o trabalho agora é manter essa conexão. Essa é a opinião de Larissa Assunção Oliveira Santos, representante do Núcleo de Sustentabilidade, Energia e Mudanças Climáticas do Governo de Minas Gerais, um dos 10 estados brasileiros que aderiram ao compromisso Race to Zero, que tem como meta neutralizar as emissões líquidas até 2050. “O novo relatório do IPCC foi alarmante, mas também trouxe a informação de que ainda dá tempo, mas ele é curto e temos que ser ambiciosos”, afirmou, reiterando que o momento pede ações de todos os atores.

O mesmo vale para os investimentos. “Ignorar os riscos climáticos é evitar a transparência para os investidores”, afirmou José Pugas, sócio e head de ESG da JGP Crédito. Ele lembrou que é impossível não considerarmos impactos como secas e geadas em áreas onde nunca houve antes e que os tomadores de decisão de alocação de capital precisam perceber que o mundo não vai ser igual ao que era antes. “Estamos num momento de questões existenciais. Nós somos a geração que teve a ‘sorte’ de ter consciência sobre seu papel na mudança de longo prazo no planeta e da sua responsabilidade nesse processo”, pontuou, lembrando que os riscos não podem ser motivo para ignorar a ciência. “Não podemos deixar de ser transparentes só porque temos medo dos resultados. Eles podem nos surpreender positivamente.”

Segundo Daniela Lerario, líder brasileira na COP 26 e mediadora da plenária que apresentou experiências de governos, empresas e investidores para mobilizar um desenvolvimento sustentável, resiliente e inclusivo, para ter a possibilidade de um planeta estável para as gerações futuras, é preciso que ações sejam feitas agora. “Glasgow é a primeira COP a colocar a economia real no centro da agenda. A ação climática está acontecendo e é agora, mas precisamos ser ambiciosos. Não vai ser fácil, mas o mundo já tem conhecimento científico e capacidades tecnológica e financeira para fazer isso”, provocou. “Temos que aprender a ouvir a ciência. Os que não seguem terminam mal e prejudicam os outros. Para enfrentar as mudanças climáticas, temos que trabalhar”, acrescentou um dos convidados internacionais, Cristian Schwerter, Diretor de Planejamento de Águas Andinas, Chile.

A pandemia ajudou a sensibilizar os atores e o trabalho agora é manter essa conexão. Essa é a opinião de Larissa Assunção Oliveira Santos, representante do Núcleo de Sustentabilidade, Energia e Mudanças Climáticas do Governo de Minas Gerais, um dos 10 estados brasileiros que aderiram ao compromisso Race to Zero, que tem como meta neutralizar as emissões líquidas até 2050. “O novo relatório do IPCC foi alarmante, mas também trouxe a informação de que ainda dá tempo, mas ele é curto e temos que ser ambiciosos”, afirmou, reiterando que o momento pede ações de todos.

O mesmo vale para os investimentos. “Ignorar os riscos climáticos é evitar a transparência para os investidores”, afirmou José Pugas, sócio e head de ESG da JGP Crédito. Ele lembrou que é impossível não considerarmos impactos como secas e geadas em áreas onde nunca houve antes e que os tomadores de decisão de alocação de capital precisam perceber que o mundo não vai ser igual ao que era antes. “Estamos num momento de questões existenciais. Nós somos a geração que teve a ‘sorte’ de ter consciência sobre seu papel na mudança de longo prazo no planeta e da sua responsabilidade nesse processo”, pontuou.

Soluções Locais para a Resiliência Climática
Diversas cidades latino-americanas já implementaram medidas de adaptação e mitigação para lidar com os impactos das mudanças do clima e esse foi o foco da segunda plenária do evento. Cidades grandes e pequenas têm bons exemplos a dar. Recife, por exemplo, é uma metrópole com grande vulnerabilidade devido ao risco climático, mas que já está implementando ações para desenvolver a resiliência, com um plano local de ação climática, que foi apresentado pelo Secretário de Meio Ambiente da Cidade, Carlos Ribeiro. “Estamos diante de problemas mundiais, com possibilidades de soluções locais”, destacou. A pequena cidade de Belén, em Costa Rica, também implementou uma iniciativa interessante: uma tarifa de serviços ambientais para preservar o recurso hídrico, visto que a região tem várias nascentes de água importantes para o país. “As mudanças climáticas não são apenas um tema ambiental, mas de desenvolvimento e uma oportunidade de crescimento para os territórios”, pontuou Dulcehé Jiménez Espinoza, coordenadora ambiental do município colombiano.

Bogotá, na Colômbia, é outra cidade que tem passado por transformações importantes e pode servir de inspiração para o resto do mundo, com a implementação de várias soluções baseadas na natureza. “Somos mais de 8 milhões de corações que vivem onde nasce água”, apresentou Luz Amparo Medina Gerena, Diretora Distrital de Relações Internacionais da Prefeitura. “Sabemos que precisamos mudar a forma como nos relacionamos com a cidade, então planejamos uma nova forma de ocupar, viver e produzir no território”, explicou a gestora. “Estamos num momento de grande oportunidade, pois estamos em crise e ela está nos mostrando que precisamos nos unir. Entendemos que o mundo é amplo, mas temos que olhar uns para os outros”, convocou Marco Lobo, coordenador do Observatório de Inovação para Cidades Sustentáveis (Oics), uma plataforma que monitora e organiza soluções para o clima com a missão de inspirar mais pessoas, mostrando que replicar é possível e fomentando políticas públicas. “A barreira é continuarmos isolados, mas está nas nossas mãos transformarmos as nossas cidades”.

Onda Verde
“Para compreender o presente e se preparar para o futuro a gente precisa olhar para o passado”, afirmou Daniel Contrucci, Diretor da Climate Ventures, ao apresentar o estudo A Onda Verde, que reúne a inteligência coletiva de vários especialistas da agenda ambiental, consolida desafios e faz um chamado para empreendedores, investidores, governos, consumidores, marcas e atores do ecossistema de impacto brasileiro protagonizarem uma transformação sistêmica na relação entre negócios, pessoas e meio ambiente. O trabalho será apresentado em Glasgow, mas uma prévia de suas conclusões foi destaque no segundo dia do Conexão Pelo Clima. Apesar do foco nos desafios e oportunidades de negócios para a agenda verde no Brasil, o estudo tem uma lógica que pode ser replicada para outros países da América Latina. “Temos tudo para ser a maior potência verde no mundo, mas precisamos de investimentos pra surfar essa onda”, afirmou o diretor da Climate Ventures.

Bioeconomia vai pautar o futuro do desenvolvimento
As exportações na Amazônia são muito concentradas, mas a lista de produtos que ela pode vender para fora é bem mais longa. A conclusão é do estudo “Oportunidades na exportação de produtos compatíveis com a floresta”, é que a floresta tem potencial para aumentar — e muito — esse valor. “Se o Brasil ocupar 1,3% do mercado global de produtos compatíveis com a floresta, a receita anual será de US$ 2,3 bilhões”, afirmou Salo Coslovsky, Professor da Universidade de Nova Iorque e pesquisador do Amazônia 2030, que apresentou o trabalho no painel que tratou de Bioeconomia. O estado do Pará tem um enorme potencial para se tornar referência mundial nesse setor e um outro estudo, divulgado durante o Fórum Mundial de Bioeconomia, afirma que a renda total gerada com as cadeias produtivas desses produtos pode chegar a R$ 170 bilhões em 2040, um aumento de mais de 30 vezes em relação ao seu valor atual. Como colocar isso em prática? “Incorporando a bioeconomia no planejamento das políticas desenvolvimentistas do estado”, comentou Raul Protázio Romão, Secretário Adjunto de Meio Ambiente do Pará, que também participou da mesa. “Problemas complexos demandam soluções complexas, com multi-atores e multisetores”.

“A bioeconomia ainda é um tema escorregadio, porque não há um consenso sobre o que é. Nosso primeiro desafio é estruturar um conceito que incorpore as características específicas da Amazônia em toda a sua complexidade”, provocou Vanderleia Radaelli, Especialista Líder em Ciência, Tecnologia e Inovação do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). “Para incorporar valor agregado é imprescindível ciência, tecnologia e inovação com uma visão estratégia ambiciosa para curto, médio e longo prazo. Nós temos uma infinidade de possibilidades para ir trabalhando simultaneamente”, sugeriu a especialista do BID. “A oportunidade nunca esteve tão visível quanto agora”, completou.

A promoção de novos negócios certamente está entre as saídas para colocar a teoria em prática. “Quando a gente deixa de olhar a Amazônia como pena e olha como oportunidade de resolver os gargalos, conseguimos gerar soluções para as cadeias produtivas, enriquecendo o ecossistema de produtos, serviços e soluções”, contribuiu Carlos Koury, Diretor técnico do Idesam Conservação e Desenvolvimento Sustentável, quarto convidado do encontro. “Colocar a tecnologia para funcionar a serviço dessas cadeias é uma das formas de melhorar esses ambientes ‘inóspitos’”.

Finanças Sustentáveis para a Ação Climática
“O que vai acontecer com a economia sustentável nos próximos anos?”, provocou a mediadora do último painel Tatiana Assali, Gerente de Programas em Finanças Sustentáveis da SITAWI Finanças do Bem. A pressão para uma economia verde aumentou com a Covid-19 e tem caído no gosto dos investidores da Faria Lima, segundo Victor Tâmega, Gerente Sênior de Investimentos em Infraestrutura da Rio Bravo Investimentos. “Um terço dos 100 trilhões de dólares geridos no mundo já tem algum aspecto ESG”, informou. “A regulação também tem avançado para evitar o greenwashing e é importante estabelecer padrões e quantificações. Estamos caminhando, as pessoas têm ficado cada vez mais conscientes e rigorosas, então temos boas perspectivas para o curto prazo, mesmo que o Brasil ainda esteja meio fora dos trilhos no curto prazo”, observou. No longo prazo, as inovações e investimentos que vão permitir o crescimento respeitando o meio ambiente e as pessoas, devem dominar o mercado. “O Reino Unido lançou uma iniciativa que considera esse desenvolvimento, o que dá uma direção de longo prazo para todo o mundo”, opinou Maud Chalamet, head de finanças verdes do Consulado Britânico no Brasil.

Para Eduardo Taveiro, Secretário Estadual de Meio Ambiente do Amazonas, esse é um movimento que veio para ficar. O problema, segundo ele, é que vivemos um momento de transição, onde o consumo excessivo de carne e de soja, por exemplo, ainda dita os rumos da economia em muitos estados, como Amazonas e Pará, favorecendo atividades ilegais, como a grilagem. “Estamos neste momento em um cenário de tempestade (…), mas essa é uma área com grande potencial bioeconômico. Achar o meio do caminho entre o futuro e o presente talvez seja a agenda mais urgente”, lembrou. Apesar dos desafios, os especialistas acreditam que estamos caminhando para uma economia de baixo carbono, inevitavelmente. “Estamos agora discutindo os meios e a velocidade, mas é para lá que temos que ir”, afirmou Sonia Consiglio Favaretto, SDG Pioneer pelo Pacto Global das Nações Unidas. “Está sendo exigido de cada um de nós, cada um em sua posição, o que eu chamo de ‘habilidade de leitura de cenários’ e o cenário aponta para essa direção”.

Pitchs e rodadas de negócios
Como parte da atividade de curadoria, a programação foi ainda uma oportunidade para que startups fossem apresentadas a possíveis investidores e financiadores, com a apresentação de pitchs das startups finalistas da Competição Global de Novos Negócios Verdes (Brasil) e das rodadas de negócios, realizadas pela primeira vez online no último dia do evento, Os encontros entre startups com soluções boas para o clima e empresas e governos interessados nessas inovações, tiveram a participação de mais de 120 iniciativas, número recorde de inscrições.

Imagem: reprodução/ Hybri

A transição para a economia de zero carbono é um jogo de ganha-ganha-ganha

Edição online da maior feira de negócios pelo clima da América Latina mostra os benefícios para empresas, investidores e, principalmente, os cidadãos

A transição para uma economia de zero carbono é um processo ganha-ganha-ganha. Isso porque nela as emissões de carbono na atmosfera são reduzidas gerando: negócios; segurança climática que, consequentemente, reduz as mudanças climáticas e os impactos ambientais que atingem a todos nós; e mudanças nas formas de consumo da população. Esses três pontos inspiraram e criaram oportunidades para pessoas se encontrarem e explorarem todos esses ganhos.

Esse é o foco da Feira Conexão Pelo Clima, um evento que conecta pessoas envolvidas na geração de negócios e financiamento para a transição de uma economia de baixo carbono, explorando o aspecto de ganhos. As inscrições para a 2º Feira Conexão pelo Clima e Summit Climate Ventures, que vai acontecer nos dias 26, 27 e 28 de outubro, estão abertas. O evento estará dividido em quatro grandes eixos temáticos: (I) Finanças sustentáveis e inovação; (II) Bioeconomia; (III) Governos locais e ação climática; (IV) Ambição climática.

Finanças sustentáveis e inovação representam a promoção de fundos que invistam em ações, empresas e iniciativas zero carbono. Estamos vivendo mudanças climáticas com efeitos extremos em todo o planeta, com consequências como secas e destruição da vida marinha. Promover ativos verdes reduz as emissões, a incidência desses eventos extremos e aumenta a nossa segurança. Também reduz a vulnerabilidade dos negócios que são financiados.

Se você investir em empresas elétricas que têm uma matriz que não depende tanto de petróleo e de outras fontes fósseis que podem sofrer boicote ou regulação, seu investimento será mais seguro. Se você promover negócios de transporte, que também emitem menos, eles também serão menos vulneráveis a obrigações, punições e regulações. Os negócios que emitem menos são mais resistentes a boicote de consumidores, pressões de outros investidores, ou até mesmo limites impostos por acordos de países.

Além disso, investir nesses ativos é bom para todo mundo, inclusive para nós que estamos usufruindo dos serviços que esses ativos estão provendo e para nós como investidores involuntários. Os fundos de previdência, por exemplo, são os maiores investidores globais. Se temos um fundo de previdência, é importante que esses fundos invistam em ativos com menor risco climático pela nossa segurança e aposentadoria.

O segundo eixo da Feira Conexão é a Bioeconomia, tema particularmente importante para o Brasil. Diferente de outros países, onde a maior parte das emissões estão em setores como geração de energia e transporte, no Brasil metade das emissões vêm de desmatamento e um quarto das emissões vêm de agropecuária, emissões da criação de gado ou do tipo de manejo do solo.

Sendo assim, a bioeconomia que usa a floresta de forma inteligente é fundamental para os países ricos em floresta, onde o desmatamento é a maior parte do problema das emissões.

A bioeconomia é uma oportunidade de ganha-ganha porque promove a geração de negócios baseados na produção a partir da floresta em pé. Começando por produtos que já existem e já geram negócios, como o cacau, açaí, palmitos, óleos vegetais, madeira sustentável, pesca e muitos outros.

Existe um potencial já aproveitado no Brasil, mas potencializar a bioeconomia, que é riquíssima, gera sustento para quem está vivendo da floresta em pé e gera uma economia de produtos da bioeconomia brasileira, produtos típicos do país com marcas locais que fomentam espaço no mercado internacional e para nós, consumidores, oferece produtos mais gostosos, saudáveis e diversos.

O terceiro eixo da Conexão pelo Clima é o que os governos locais podem fazer. Governos locais são uma chave muito importante para a transição para uma economia de baixo carbono porque muitas das ações para redução das emissões passam por decisões que estão no âmbito de prefeituras, governos estaduais e províncias. Isso fica muito claro quando você pensa em transporte, que são basicamente decididos por prefeituras e estados.

Reduzir as emissões significa investir em mais e melhores transportes: mais metrô e mais trens, chegando em mais lugares, com mais estações. Significa uma maior otimização das vias de trânsito, para que a população fique menos tempo em congestionamentos, queimando combustível. Esses investimentos são incentivos ao desenvolvimento de bairros planejados para que você faça a maior parte dos deslocamentos a pé, com trajetos curtos. Tudo isso melhora a qualidade de vida das pessoas com menos tempo desperdiçado.

A criação de áreas verdes é outro dos muitos aspectos que os governos podem trabalhar. As áreas verdes reduzem os aquecimentos das cidades, a necessidade de ar condicionado, melhoram o conforto e aumentam a resiliência climática. As mudanças climáticas já estão acontecendo e a frequência de seus efeitos aumentar. Já existe carbono na atmosfera que garante mudanças no clima por, pelo menos, mil anos, o que não sabemos é a gravidade disso.

Estamos lutando para segurar as consequências mais devastadoras e manter o aquecimento na faixa de 2ºC, que é considerável o administrável. Deixar as cidades mais protegidas para as mudanças climáticas que já estão acontecendo e estão por vir, significa melhora na qualidade de vida dos cidadãos.

O quarto eixo do evento é Ambição Climática, o que significa o Brasil ter coragem para assumir metas ambiciosas. Desde os anos 1990, quando o país se ofereceu para hospedar a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, a Eco-92, o Brasil é um dos maiores líderes do mundo na negociação do clima. Nossos negociadores são habilidosos, treinados e têm conhecimento científico para embasar isso.

Esse papel de liderança garantiu a vantagem dos nossos interesses serem colocados em acordos internacionais. Por exemplo, o Brasil foi o país que criou o conceito de responsabilidades comuns, porém diferenciadas. Conceito que norteou o Protocolo de Quioto, que está em vigor até hoje. Os países desenvolvidos que se industrializaram no século XX emitindo muito mais carbono, presente na atmosfera até hoje, têm mais responsabilidades de compensação do que os países em desenvolvimento. Além disso, países desenvolvidos têm recursos e fundos para apoiar os países em desenvolvimento.

O Brasil deixou de ocupar essa posição de liderança dentro de negociações internacionais em 2018, quando o governo tirou o corpo diplomático do país das negociações e deixou de aproveitar o papel de liderança que sempre teve. Então, ambição climática é uma oportunidade para o Brasil retomar esse papel de liderança. O que ajudaria o país a usufruir de benefícios e investimentos.

A maior parte dos apoios internacionais para o desenvolvimento em organizações multilaterais estão hoje subordinados a critérios climáticos. Um país como o Brasil que tem uma matriz energética limpa e a possibilidade de reduzir suas emissões facilmente, pode usufruir de uma maior ambição climática e com isso ganhar peso e competição internacional.

Na 2º Feira de negócios Conexão pelo Clima e Summit Climate Ventures os quatro macrotemas do evento vão ser amplamente explorados através da discussão sobre boas práticas e oportunidades em clima, inovação e empreendedorismo.

O evento realizado pelo CDP Latin America, pela organização O Mundo Que Queremos e pela Climate Ventures, será online, gratuito e vai acontecer nos dias 26, 27 e 28 de outubro. Sendo o último dia dedicado para rodadas de negócios: um encontro entre startups com soluções boas para o clima e empresas e governos interessados nessas inovações. A inscrição e mais informações sobre a feira estão disponíveis no site.

Este artigo foi escrito por Alexandre Mansur e Larissa Magalhães e publicado, originalmente, na coluna Ideias Renováveis, da Exame.

Foto: Feira Conexão pelo Clima: evento reúne empresas, investidores e governos (Camila Cecilio/Conexao pelo Clima/Divulgação)

Crise hídrica é o preço que pagamos pelo desmatamento

Para especialista do ITA, momento crítico era anunciado. Reverter o problema exige aprender com o passado e pensar em soluções também para o longo prazo

Estamos vivendo uma crise hídrica e energética sem precedentes. A bandeira vermelha já virou o “novo normal” e os especialistas não são muito otimistas quanto a possíveis novos aumentos nas contas de luz e racionamentos de água. No entanto, apesar dos constantes alertas sobre a relação inegável dessas crises com o desmatamento, a cada novo levantamento, a área desmatada da Amazônia, maior floresta tropical do mundo, só cresce. Os últimos estudos alertam, inclusive, para o risco de ela virar uma savana. A falta de chuvas é apenas uma consequência disso.

“Precisamos lembrar que essa é uma crise anunciada”, afirma o professor do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), Wilson Cabral, que participou do novo episódio do podcast Infraestrutura Sustentável, que voltou a tratar do assunto. O especialista afirma não ter dúvidas de que esse já é o preço que estamos pagando pelo desmatamento. “Eu não diria só da Amazônia, mas a degradação de ecossistemas de forma generalizada”. Ele lembra que a Amazônia é peculiar, porque quando derrubamos a floresta estamos prejudicando também os rios voadores, cuja umidade é distribuída também para outras regiões. “Isso está relacionado com a agricultura, os níveis dos rios, o abastecimento dos reservatórios das hidrelétricas, precipitações, todos os usos possíveis e imagináveis da água”. A agricultura depende da floresta mas, em muitos casos, tem sido a grande vilã do desmatamento, o que Wilson Cabral descreve como “um ciclo vicioso” ou “uma retroalimentação negativa”. Ele explica que à medida que a agricultura avança e o desmatamento também, a atividade cria dificuldades para ela mesma, além de para toda a sociedade.

O que podemos fazer para reverter, ou pelo menos não piorar, essa situação num momento em que as mudanças climáticas estão cada vez mais presentes para cobrar essa conta? Antes de responder a essa pergunta, Wilson Cabral diz que é fundamental lembrarmos porque não fizemos algo antes, o que para ele está relacionado ao fato de que, até muito pouco tempo atrás, não se pensava a longo prazo. Assim, como os efeitos do desmatamento não eram sentidos de forma tão imediata, a sociedade foi investindo em modelos de produção e consumo acelerados que nos trouxeram até aqui. “Agora não temos mais tempo a perder e as ações precisam ser emergenciais”, afirma. “O tempo urge e não há mais esse alongamento entre o tempo da causa e do efeito. Como diz a Greta Thunberg, precisamos lembrar que não há planeta B”, completa.

Acontece que o que nós fizermos hoje, para o bem ou para o mal, também vai levar um tempo para gerar resultados. Por isso mesmo, Wilson Cabral acredita que precisamos olhar para o longo prazo. Ele exemplifica: estamos vivendo uma crise hídrica que, pela nossa matriz energética ser muito dependente das hidrelétricas, também significa uma crise energética. Para lidar com o problema, o acionamento de termelétricas tem sido considerado uma boa ideia. Mas essa ação tem um efeito de retroalimentação negativo muito importante, pois aumenta o lançamento de carbono na atmosfera, intensificando o impacto climático que ajudou a gerar esses períodos de seca prolongados, que geraram a crise hídrica. Ou seja, precisamos ser mais inteligentes que isso e pensar em soluções que gerem mais co-benefícios e menos impactos sobre o próprio modelo.

A transparência na gestão dessas crises é um fato importante nesse contexto. A sociedade precisa saber a gravidade da situação e tudo o que está sendo feito, pois será ela a principal afetada por qualquer decisão. Wilson Cabral destaca que as previsões de precipitações para os próximos meses não são otimistas e medidas para isso já deveriam estar sendo tomadas agora. “Não campanhas para as pessoas tomarem menos banho, mas medidas concretas, inclusive em termos de eficiência energética e redução de consumo por outros atores (como a indústria)”, afirma. Ao mesmo tempo, precisamos investir em soluções que tenham resultados no médio e longo prazo, como fazer a restauração ecológica de bacias hídricas e zerar o desmatamento, não só da Amazônia, mas também de nossos outros biomas. Tudo isso também pede planejamento e integração de agendas, pois todos os atores precisam fazer suas partes. Se não, continuaremos vivendo a crise e contribuindo para agravá-la.

Este artigo foi escrito por Alexandre Mansur e Angélica Queiroz e publicado, originalmente, na coluna Ideias Renováveis, da Exame.

Quem você precisa conhecer

As rodadas de negócios da feira Conexão Pelo Clima promovem o encontro de fornecedores com potenciais clientes, parceiros ou investidores

Imagine uma pequena empresa que oferece uma solução inovadora para diminuir as emissões de gases do efeito estufa. Por melhor que seja essa ideia, ela precisa de investimento para ganhar escala, o que pode ser desafiador, especialmente se esse empreendedor não conhece potenciais investidores. Do outro lado, gestores de empresas e governos podem estar, naquele exato momento, quebrando a cabeça para conseguir dar alguma resposta aos desafios impostos pela crise climática, pois estão sendo cada vez mais cobrados para apresentarem soluções nesse sentido e também estão percebendo que esse é um caminho sem volta e lucrativo no médio-longo prazo. Essas pessoas estão dispersas em ambientes diferentes, mas precisam se encontrar.

A boa notícia é que esse ponto de encontro existe e o nome dele é rodada de negócios. Essa atividade será um dos destaques de um dos eventos de negócios pelo clima mais importantes do país: a terceira edição da Feira Conexão Pelo Clima e Summit Climate Ventures, que acontece nos dias 26, 27 e 28 de outubro (e está com inscrições abertas pelo site conexaopeloclima.com.br). O último dia será dedicado a essas oportunidades para parcerias de impacto positivo entre empresas, governos e startups, a partir de modelos de negócios bons para o clima. Elas terão o formato de rápidos encontros empresariais online, nos quais as organizações serão colocadas frente à frente, com horários previamente agendados, em mesas de negociação individuais, de acordo com cada necessidade e perfil de atuação. Durante uma rodada de negócios, será possível comprar e vender produtos e serviços, trocar informações, conhecer mercados potenciais e ampliar a cadeia de fornecedores.

“Essa é uma oportunidade única tanto para ofertantes quanto para compradores para identificar e captar novos fornecedores, clientes e parceiros, conhecendo mercados potenciais, acessando novas tecnologias e realizando negócios rapidamente em âmbitos nacional e internacional”, afirma Lucas Helfenstein Nieto, gestor de projetos na Climate Ventures, organização que encabeça a organização das rodadas. “Para as startups é simplesmente imperdível porque essa é uma das dores mais recorrentes dos empreendedores de impacto: conseguir acessar clientes e mercado. Quando você tem um momento específico pra isso, é algo muito valioso. E mesmo no caso de empresas e cidades, com seus desafios imensos mas que ainda estão engatinhando em relação à inovação e inovação aberta em seus planejamentos estratégicos e cadeias de valor, é muito rico. Por mais que eles tenham muitos recursos, nem sempre sabem onde procurar ou com quem conversar para se manterem antenadas nesse universo”, completa.

A primeira experiência com esse modelo de reuniões aconteceu de maneira presencial na edição de 2019 do Conexão Pelo Clima (que, na época, se chamava Conexão Carbono Zero) e contou com a participação de mais de 70 inscritos, com startups, empresas e municípios de todo Brasil, Chile, Colômbia, Canadá e Argentina. São conversas que podem levar a muitas possibilidades de parcerias em toda a América Latina. O evento é fruto da parceria entre o Instituto O Mundo Que Queremos, CDP Latin America e Climate Ventures, que são instituições com perfis diferentes e, por isso mesmo, criam um espaço único, com todos os atores que precisam conversar para que a gente consiga mitigar a tempo os efeitos das mudanças climáticas.

Baseado nas rodadas que já aconteceram em eventos anteriores, Lucas Nieto afirma que espera que essa edição tenha como participantes dois públicos principais: “demandantes” e “ofertantes”. O primeiro grupo é composto por empresas e governos — como secretarias de meio-ambiente, clima e prefeituras — que estão buscando soluções inovadoras para resolver algum desafio de suas cadeias de valor ou de suas cidades. O segundo contempla, principalmente, startups e pequenas e médias empresas, que já atingiram um recorte de maturidade em que seus produtos e serviços, já sabem que existe a demanda por eles e têm capacidade de fornecimento para compradores interessados, ou seja, estão prontas para crescer.

São conversas rápidas, que duram de 15 a 30 minutos dentro de uma plataforma própria para esse tipo de papo. É a primeira vez que as rodadas de negócios vão acontecer nesse formato, mas Lucas Nieto acredita que a expectativa para esse ano é a melhor possível. “Na plataforma, todos os participantes possuem seus respectivos perfis com informações de cadastro e seus principais desafios e necessidades indicados. Com base nisso, tanto compradores quanto ofertantes podem solicitar agendamento de rodada”, explica. Até o tempo curto das conversas é visto pela organização como positivo. “Isso faz com que as partes sejam mais diretas em relação ao que lhes levou a agendar as reuniões. Nada impede que continuem os papos depois.” A expectativa é de que, pelo menos, 100 organizações participem da edição 2021. “Assim vamos orquestrar e fomentar conexões entre todos os atores do ecossistema de empreendedorismo climático.”

A 26ª Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP 26) vem aí e líderes do mundo inteiro estão com os olhares voltados para essa agenda, já que as mudanças climáticas têm deixado cada vez mais claro que temos que parar tudo e fazer isso agora. Descarbonização é a palavra do momento e precisamos mais do que nunca fomentar negócios que caminhem nessa direção.

Este artigo foi escrito por Alexandre Mansur e Angélica Queiroz e publicado, originalmente, na coluna Ideias Renováveis, da Exame.

Imagem: Rodada de negócios da feira Conexão pelo Clima, em 2019 (Camila Cecílio/Conexão pelo Clima/Divulgação)

Evento referência em negócios pelo clima abre inscrições para edição 2021

Em sua terceira edição, Conexão Pelo Clima será online nos dias 26, 27 e 28 de outubro. Rodadas de negócios estão entre as novidades deste ano

O mundo todo está se preparando para a 26ª Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP 26), que acontece em Glasgow, em novembro. Lá, representantes de cerca de 200 países farão a revisão do acordo para mitigação das emissões de gases de efeito estufa (GEE), o que será fundamental para avançar na agenda do clima e acelerar a transição para a descarbonização. O Brasil e os países da América Latina precisam ser protagonistas dessa mudança, com metas mais ambiciosas e negócios que caminhem nessa direção. Um dos principais pontos de encontro entre empresas, investidores e governos protagonistas da transição para o baixo carbono é a feira de negócios Conexão pelo Clima. Já estão abertas as inscrições para a edição deste ano do evento: a terceira edição do Conexão Pelo Clima – 2ª Feira Latino-Americana de negócios pelo clima e Summit Climate Ventures -, que acontece nos dias 26, 27 e 28 de outubro, em formato online.

Destaques desta edição, as rodadas de negócios LatAm, que vão acontecer no dia 28 de outubro 100% online, serão oportunidades para parcerias de impacto positivo entre empresas, governos e startups, a partir de modelos de negócios bons para o clima. Elas terão o formato de rápidos encontros empresariais online, nos quais as empresas serão colocadas frente à frente, com horários previamente agendados, em mesas de negociação individuais, de acordo com cada necessidade e perfil de atuação. Outra novidade da edição 2021, será o espaço para que startups sejam apresentadas a possíveis investidores e financiadores, com pitchs durante o evento, que pretende, com isso, também destacar que o empreendedorismo pode ser um caminho para soluções que trarão benefícios para a sociedade ao adaptar e mitigar os efeitos da atual crise climática.

Empresas, governos, empreendedores e sociedade civil estarão convidados a atuar de forma proativa na proposição de soluções alternativas possíveis e viáveis para promover a redução das emissões de GEE com metas baseadas na ciência. Serão quatro painéis que vão abordar boas práticas e oportunidades em clima, inovação e empreendedorismo para a transição para uma economia carbono zero e um desenvolvimento mais sustentável, justo e inclusivo para a América Latina no contexto pós-pandemia.
O evento será realizado via Hybri, uma plataforma digital interativa. Alguns nomes importantes, nacional e internacionalmente, já estão confirmados como participantes dos painéis. Entre eles: Sonia Consiglio Favaretto (SDG Pioneer pelo Pacto Global das Nações Unidas), Salo Coslovsky (Amazônia 2030), Cristian Schwerter (governo do Chile) e Natalie Unterstell (Instituto Talanoa de Políticas Públicas) entre outros nomes importantes da área.

As inscrições para os painéis e rodadas de negócios já podem ser feitas no site: https://conexaopeloclima.com.br/, onde você também pode conferir a programação completa.

Conexão Pelo Clima
Iniciativa inédita na América Latina, a primeira edição da Feira Conexão Carbono Zero, realizada em 2019, foi um sucesso e se consolidou como um evento referência de negócios pelo clima. Após a primeira edição, ganhou um novo nome: Conexão Pelo Clima, fruto da parceria entre o Instituto O Mundo Que Queremos, CDP Latin America e Climate Ventures, que se juntaram para oferecer um espaço único de conexão rumo à uma economia de baixo carbono. A edição 2021 é a terceira edição da feira, a segunda online, e acontece com patrocínio do Instituto Clima e Sociedade (iCS) e da Cargill.

Qual será o sanduíche bom para o clima?

A produção de hambúrguer sintético é um dos negócios promissores com a demanda por cuidados com as pessoas e com o meio ambiente. O que mais esperar dessas tendências?

Nos últimos anos, muito tem se falado em uma nova economia, que seja mais sustentável, mudando a forma como nos relacionamos com os recursos naturais e ajudando a mitigar os efeitos das mudanças climáticas, que ninguém pode mais negar. No entanto, muita gente ainda é resistente ao assunto, associando-o a algum tipo de retrocesso ou paralisação. Não é nada disso. O que precisamos é de uma transformação, com empreendimentos que tenham o olho no futuro e não no retrovisor.

Os megaprojetos já estão perdendo espaço para outros menores e baseados em conhecimentos mais sofisticados. Essa é uma tendência porque os negócios precisam mudar para estimular mudanças de atividades e comportamentos que sejam indutores da redução de gases do efeito estufa e nos ajudem a cumprir as metas estabelecidas pelo Acordo de Paris e endossadas pelas principais potências do mundo. “Os próprios objetivos para o desenvolvimento sustentável (ODS) convergem para uma economia que tenha como base os serviços para a sociedade de forma a não destruir a natureza”, afirma Ricardo Abramovay, que é economista, professor e especialista em economia verde, em mais um episódio do podcast Infraestrutura Sustentável.

Nessa nova economia, boa para o clima, há espaço para que muitos negócios prosperem, mas eles precisam também estar alinhados com essa mentalidade do cuidado — com as pessoas e com o meio ambiente, ou seja, na luta contra as desigualdades e contra as mudanças climáticas. “Essa é a mensagem central: desenvolvimento sustentável não é só meio ambiente, é favorecer a emergência de uma vida social em que as pessoas possam florescer e exercer as suas capacidades”, afirma Abramovay. Nesse sentido, segundo ele, a infraestrutura se torna um meio para chegar a esses objetivos e os negócios que forem por essa linha têm tudo para se dar bem.

A área da saúde é uma na qual há muito espaço para investimento, especialmente nos setores de vacinas, equipamentos e, sobretudo, cuidado com as pessoas. Abramovay lembra que a pandemia deixou muito claro que não podemos depender de apenas alguns países, como Índia e China, para a produção de insumos, mesmo os mais elementares, pois isso deixou muitos países desabastecidos, justamente quando mais precisavam. Mobilidade é outra área promissora. As pessoas vão precisar se locomover de outra forma, dependendo menos de veículos que emitem gases do efeito estufa. Isso já está dando lugar a novos negócios, tanto aqueles que usam tecnologias digitais, quanto os que investem em fontes renováveis de combustíveis.

Naturalmente, a área de cuidados com a natureza é prioritária para quem pensa em novos negócios. Investir em energias renováveis, por exemplo, é não apenas uma forma de diminuir os efeitos das mudanças climáticas, mas também uma área que têm potencial de gerar muitos empregos, inclusive para postos de trabalho qualificados. Negócios especializados em regeneração florestal, recuperação de áreas degradadas também estão entre os que Abramovay acredita que têm muita chance de prosperar. Ele também cita que os imóveis, domésticos e comerciais, precisarão passar por adaptações para atender às mudanças no comportamento das pessoas. “As pessoas vão precisar reformar suas casas e instalar novos equipamentos de aquecimento, senão a conta não vai fechar. Isso vai dar lugar a negócios, inclusive pequenos”, explica o professor, lembrando que na Grã Bretanha, por exemplo, são 30 milhões de domicílios que vão ser recompostos para atender às metas ambiciosas do país.

Os negócios ligados à alimentação também devem ganhar cada vez mais espaço. Abramovay afirma que a contestação ao consumo de carne e à crueldade animal vinculada a esse hábito é crescente. Essa nova exigência dos consumidores têm estimulado, por exemplo, a produção de carnes de laboratório. Há consultorias que estimam que, em 30 anos, 40% do consumo atual de carne vai ser direcionado para carnes vegetais ou essas elaboradas em laboratório. São negócios que estão crescendo com uma velocidade impressionante. É possível esperar uma pressão cada vez maior por redução nas emissões de metano, o que deve impactar a produção bovina, e estimular substitutos, inclusive aves e suínos.

E esses são só alguns exemplos que provam que a economia boa para o clima não tem nada de paralisada, é exatamente o contrário. “O que está acontecendo é uma transformação profunda que será mais promissora quanto mais ela obedecer às necessidades da luta contra a crise climática”, conclui Abramovay. Os desafios são imensos, especialmente no Brasil, onde muita gente ainda tem receio de investir nesse tipo de negócio e há projetos novos que não só não estão indo no caminho certo como andam para trás, estimulando, por exemplo, o desmatamento, questão que não deveria nem mais estar sendo discutida, já que todo mundo que está minimamente atento sabe do potencial da floresta em pé. Investidores e empreendedores que pensam no longo prazo não podem mais ignorar que nada mais será como antes. Ainda bem.

Foto:Ivam Grambek/Flickr

Este artigo foi escrito por Alexandre Mansur e Angélica Queiroz e publicado, originalmente, na coluna Ideias Renováveis, da Exame.